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11/05/2020

Crises e desigualdades educacionais

Crises e Desigualdades Educacionais
Crises e desigualdades educacionais. Imagem da Praxe Educação


São nos momentos de crise que a gente conhece as pessoas e as instituições. É quando os políticos demonstram de que lado eles realmente estão, os religiosos explicitam o que pensam sobre o humano e a espiritualidade, os empresários mostram que tipo de mundo imaginam para a sociedade e os Estados demonstram o quanto estão capacitados para fazer políticas sociais de promoção da equidade. 

São nas crises que a gente percebe o quão desiguais são as condições de vida das pessoas que precisam estudar. 

Segundo dados da última pesquisa TIC Domicílios 2017, em 29% dos domicílios, há acesso a TV por assinatura; em 23% há computador de mesa; em 29% há notebooks. Ter computador ou notebook em casa e ter acesso à Internet e TV por assinatura são condições básicas para os cidadãos terem acesso à informação em contextos de hiperconectividade. Caso contrário, a participação na modalidade de educação a distância fica prejudicada, pois enquanto uma criança tem acesso a um filme recente na TV paga para realizar uma atividade escolar, outra poderá ficar apartada do processo de ensino-aprendizagem por falta de condições básicas nos usos e acessos às tecnologias dentro da própria casa. 

O leitor pode questionar, mas precisa de TV paga? Um smartphone não resolveria? Olha, quando a gente parte para estudar em profundidade, o smartphone é mais um brinquedo, um complemento, do que um instrumento que poderia ser considerado como principal recurso no processo de aprendizagem. As residências precisam de notebooks e tablets, com acesso de banda larga suficiente para acessar sites pesados e assistir a filme de alta resolução. 

Não podemos esquecer das muitas pessoas que sobrevivem no século XXI sob as condições de uma Internet precária, que mal dar para enviar uma mensagem de texto com algumas dezenas de caracteres. 

O resultado de tudo isto? Muitas crianças, jovens e adultos que não podem participar dos movimentos de educação a distância por causa da carência de condições sociotécnicas e econômicas para estudar. 

Enquanto uma parcela da população de estudantes acessa ambientes virtuais de aprendizagem para assistir a vídeos, realizar debates em fóruns, trocar ideias com professores e colegas, participar de bate-papos, um outro grupo ficará em casa sem opção, sem estudos, sem acesso à cultura, enfim: sem educação. 

E como pensar em educação se essas mesmas pessoas só têm acesso precário a outros bens sociais tão importantes como assistência médica, previdência social e condições básicas de lazer e higiene? 
Pois é, as crises trazem aprendizagens terríveis sobre a vida em comunidade. 

A crise demonstra o quanto uma sociedade está preparada para proteger os cidadãos e as cidadãs. 

Quando a crise passar, espera-se que estejamos mais atentos aos processos de desigualdades sociais que acontecem no dia a dia, mas que ficam ofuscados por, às vezes, estarmos em situação particular de bem-estar, o que nos faz esquecer as limitações inerentes à vida comunitária. 

Que bom seria se todos estivessem em casa hoje, sabendo das dificuldades oriundas da crise, mas em condições mínimas de lazer, de bem-estar, de saúde social e de educação? 

Que bom seria se em cada lar houvesse condições para que as crianças, os jovens, os adultos e os idosos pudessem exercer o direito básico garantido na Constituição de acesso à educação? 

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Até a próxima! 

E ai? Já leu a publicação passada sobre Desigualdades Educacionais?


Sobre a internet no Brasil veja+: TIC Domicílios 2017 

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30/03/2020

A encruzilhada do empreendedorismo

A encruzilhada do empreendedorismo
A encruzilhada do empreendedorismo. Imagem da Praxe Educação

Em tempos de crises severas e globais é que se percebe a real dimensão de determinadas ideias que são difundidas país afora.
Uma ideia recorrente defendida por muitos gurus da autoajuda é a infalibilidade da atitude empreendedora. São diversos textos conclamando e convencendo muitos cidadãos a aderirem a estratégias vulneráveis de carreira em empreendedorismo.
Para quem já tem recursos próprios, estudou os fundamentos das ciências econômicas e financeiras, tem facilidade de administrar, conhece marketing, entre outras competências, existe risco, mas bem menor, do que aquele cidadão comum, que não tem capital para investir, não tem crédito na praça para manter o fluxo de caixa, não conhece os fundamentos de economia, administração e outras coisas mais. 

É muito risco até o sonho de ser empreendedor.

Primeiro porque o Brasil se caracteriza por ser uma nação cujos governantes nunca investiram o suficiente para a fomentação da cultura do empreendedorismo. Este movimento dos últimos 10 anos aqui no país, com a criação da figura do microempreendedor, ainda é muito incipiente para considerar que estamos prontos para lidar com a cultura empreendedora. 
Outro ponto é que as escolas que se dedicam a “ensinar” empreendedorismo ainda trabalham com um viés distante da população-alvo: homens e mulheres com pouco nível educacional para conduzir empresas. Só estes dois motivos já seriam suficientes para as pessoas não caírem na onda de que todo mundo pode ser empreendedor. O que fica é a vontade e as falácias de tudo se resolver por meio da criatividade.
Outra questão relevante é a da gerência das finanças pessoais versus as finanças do negócio. Dinheiro do negócio é dinheiro do negócio! Como é difícil as pessoas aceitarem esta obviedade! A mistura desorganizada das finanças pessoais com as do negócio atrapalha muita gente.
Cabe lembrar que a maioria dos empreendedores não sabe fazer fluxo de caixa, que é aprender a fazer projetos dos movimentos econômicos e financeiros em prazos variados. A cultura do Viver o Momento faz com que muita gente não economize, não pague assistência de saúde, não pague previdência social e não pague impostos. 
O resultado disto tudo só aparece nos momentos de crise, quando uma empresa vai ser obrigada a ficar 30, 40 ou 60 dias sem movimento, e o empreendedor não tem recursos suficientes para aguentar tanto tempo sem renda.
É uma situação muito controversa esta pela qual passa uma expressiva quantidade de cidadãos: o empreendedor não quer ser trabalhador e não pode ser patrão, vive em uma área intermediária do mercado, sem proteção, sem informações suficientes e com um futuro incerto.
É o momento de se pensar sobre questões como: de que maneira o empreendedor pode ter uma educação mais próxima da realidade do mercado brasileiro? Como educar o empreendedor para se desenvolver como um gestor de negócios? Como trabalhar a educação do empreendedor para que este aprenda a poupar? Como separar o dinheiro do negócio do dinheiro pessoal? 

Estes são desafios de nossa sociedade para este início de milênio.

Até a próxima!


E aí? Já leu a publicação anterior sobre Desigualdades Educacionais?

Mais visitadas


#EducarNaPraxe

06/01/2020

Educar para emancipar – eis a questão

Imagem Educar para emancipar



“Só é possível imaginar a verdadeira democracia como uma sociedade de emancipados”
Theodor Adorno


Talvez seja redundante adjetivar a palavra educação como um elemento de cultura para a emancipação da humanidade. Mas é bom frisar que a educação é produzida a partir de perspectivas diversas e ela pode ser usada para cercear a liberdade das pessoas e torná-las menos ativas em relação ao processo de construção do mundo também.

É por causa disto que precisamos ser redundantes utilizando complementos que designem educação como elemento de autonomia (Freire) ou emancipação (Adorno).


Quando a gente ler Adorno parece tem a impressão que o texto foi escrito no século XXI, demarcado pela Pós-Verdade e pelas práticas da desinformação. A gente percebe um autor preocupado em despertar o sentido do entendimento profundo da vida nas pessoas.É o que se pode perceber na obra Educação e emancipação, do referido autor.

Educação e emancipação é um livro de reflexão política, midiática e educacional de Adorno, que reúne palestras e debates do autor ocorridos no período de 1959 a 1969.

As palestras foram O que significa elaborar o passado (1959), A filosofia e os professores (1961), Tabus acerca do magistério (1965) e Educação após Auschwitz (1965). Os debates foram Televisão e formação (1963), Educação para quê? (1966), A educação contra a barbárie (1968) e Educação e emancipação (1969).

O conjunto da comunicação contido na obra é um movimento de uma dialética de esclarecimento, em que o autor entra em conversação com a sociedade para discutir como elementos da cultura, da política e das tecnologias interferem no processo de educação para emancipação das pessoas.

Apesar de ter posicionamento crítico a respeito dos meios técnicos inerentes à cultura de massa, Adorno não se furtou de utilizar-se do rádio, na época, para promover discussões abertas sobre os problemas sociais que ocorriam no mundo nas décadas de 1950 e 1960.

Ir a debates e participar de palestras eram sinalizações da abertura do autor para a construção do diálogo. Este foi um diferencial de Adorno, que soube pensar o mundo em que vivia e estabelecer pontes para a discussão das questões sociais em que ele estava inserido: um intelectual atuante tanto no âmbito das teorizações, quanto da vivência cotidiana.

Para nós professores, ler Educação e emancipação é essencial, mesmo que venhamos a discordar do posicionamento sociopolítico do autor, mas é uma oportunidade de também abrirmos caminhos para compreensão dos grandes problemas de ordem social pelos quais estamos passando.

Afinal de contas, o trabalho do professor não se restringe somente às interações em sala de aula, mas está inserido em tudo que fazemos como profissionais da educação.


Para pensar:

“Pessoas que se enquadram cegamente no coletivo fazem de si mesmas meros objetos materiais, anulando-se como sujeitos dotados de motivação própria.”
Theodor Adorno


O quê? Educação e emancipação
Quem é o autor? Theodor W. Adorno
Qual é a editora? Paz e Terra


16/12/2019

Publicações mais visitadas no E-Praxe

Publicações mais visitadas no E-Praxe



Aposentadoria, escrita, bolhas, conteúdo educacional, WhatsApp, cultura organizacional, conversação, compartilhamento, neurociência, competências, apresentações, algoritmos, tudo isto atravessa a educação de hoje.

Não é que foram estes os temas mais lidos aqui no E-Praxe?



A partir do retorno do leitores, iremos planejar as publicações do ano que vem. Abraços

Até 2020!


02/12/2019

Dimensões tecnológicas de interesse do educador

Dimensões Tecnológicas





O aprimoramento de competências é uma dimensão óbvia na formação de qualquer educador. Já fizemos aqui uma pequena discussão a respeito das competências essenciais do educador corporativo, mas é necessário voltar ao assunto, abordando os aspectos do relacionamento do educador com as técnicas que surgem cotidianamente.

São muitas as invenções no âmbito das tecnologias da informação e comunicação (TIC) que surgem neste início de milênio. Quando o educador imagina que está atualizado, aparecem novas soluções tecnológicas, exigindo permanente estado de alerta sobre como lidar com tamanha novidade.

Se se pensar no que seria importante para o educador aprender no campo das tecnologias, a lista de itens de aprendizagem seria imensa. Talvez seja necessário o educador fazer a si próprio perguntas como: esta tecnologia interessa para a educação? Que influências esta tecnologia trará para os ambientes de ensino-aprendizagem? Ou como estas tecnologias estão impactando na vida cotidiana das pessoas?

Você poderá criar mais questionamentos sobre seu processo de aprendizagem em relação às técnicas que vão surgindo. Lembre-se: o desenvolvimento educacional é sempre um estado permanente de reflexão sobre a vida profissional.

Para efeito deste artigo, vamos tratar de cinco dimensões essenciais em tecnologias que são necessárias o educador aprender.

Vamos lá?


A primeira dimensão é da Internet das Coisas (IOT). Hoje dispositivos pensantes estão em todo lugar e tempo: é o GPS acoplado no rádio do carro, a caixa de som que serve como nossa agenda ou mesmo um microchip instalado no nosso corpo para prover informações que poderão servir para melhorar nossa saúde.
A IOT não atua sozinha. Junto com ela vem uma verdadeira avalanche de soluções sofisticadas que se aproximam do que chamaríamos de inteligência humana inclutada dentro de máquinas: a Inteligência Artificial (IA).
Provavelmente em nosso celular, há uma aplicação que transforma em voz textos que a gente escreve, há outras que traduzem textos em linha cruzadas para diversos idiomas. Há aplicativos que conversam com a gente, e não percebemos que estamos traçando um diálogo com uma máquina. Os exemplos são numerosos.

Acha muito impactante haver essas soluções em IOT e IA? Pois é, por traz dessas duas invenções humanas, há uma mais antiga, que são os algoritmos. É esta solução, que já existe há muito tempo, que comanda e organiza os procedimentos das IA e está incorporada nos dispositivos da IOT.

Parece receita de bolo: junte-se uma pitada de IOT em um dispositivo de IA, construído sob um conjunto de algoritmos bem elaborado e é possível provocar na sociedade uma vida de alta conexão. As pessoas hoje, as que têm acesso à Internet, vivem com o celular na mão, imergem em jogos eletrônicos, buscam carros cheios de hardwares e softwares que não a deixem distante do mundo da cultura digital. É a tal da Hiperconectividade.

Pensa que acabou? A centrtalidade de repositório informações não está mais na cabeça do educador. Hoje existe Big Data, grandes quantidades de dados podem ser armazenados em máquinas superpoderosas, que organizam e direcionam muito da construção do conhecimento no mundo. Precisamos estar atentos. E fortes!
E o educador vai ficar longe de tudo isto que está acontecendo? Vai ficar em salas de aula com quadro branco promovendo aula expositivas o tempo todo?

Precisamos pensar sobre isto, pois ainda há educador que acha que é bom se apropriar de tecnologia por meio de procuração: “Ora quando preciso de alguma coisa de tecnologia, é só falar com o técnico da escola” ou “Não preciso aprender tecnologia. Já existem os programadores!”.

É claro que o educador não precisa ser um experto em TIC, mas quando essas tecnologias entram na sala de aula, o professor precisa repensar o assunto, pois os aparatos tecnológicos possuem uma potencialidade ambígua: ao mesmo tempo em que eles podem ajudar na promoção do homem, eles também podem ser usados para submeter esse mesmo homem a um processo, de difícil volta, de alienação.

Sendo assim a melhor forma de lidar com as TIC é compreendê-las bem e ter proficiência nos diversos usos que interessem à educação.

Este assunto ainda não vai terminar aqui. Temos muito o que conversar sobre este intrincado relacionamento homem x técnicas.

Isto ficará para uma próxima oportunidade.

18/11/2019

Os andarilhos da utopia

Imagem Paulo Freire - o andarilho da Utopia


Em outubro deste ano, Salvador teve o privilégio de assistir ao espetáculo Paulo Freire – o andarilho da utopia. A peça, mais do que um retrato sobre o educador brasileiro se traduz em um momento de alegria em ver pessoas reunidas em um momento de utopia em que a energia está canalizada para o bem da humanidade.

A obra de arte é um misto de filosofia, ciência e arte em benefício da educação. O projeto artístico é um monólogo em forma de cantorias e declamações feitas por Richard Riguetti, ator de teatro e profissional circense, com 40 anos de vivências nas artes da representação; com Junio Santos no processo de dramaturgia e Luiz Antonio Rocha no trabalho de encenação.

A construção teatral navega por representações da literatura, entrecortando caminhos da poética da música popular brasileira. O teatro, a música e a poesia se encontram e produzem um efeito simbólico expressivo.

Paulo Freire – o andarilho da utopia trabalha com a sutilidade ao utilizar-se de figuras de linguagem para construir o itinerário poético-filosófico do educador da Pedagogia da Autonomia. É um olhar diferente, pois estamos acostumados a ler Freire como um trabalhador da educação e da política e por vezes esquecemos o quanto de poético há nos escritos deste autor da intelectualidade brasileira.

Segundo os autores da obra, a proposta é produzir uma peça artística junto com os espectadores, fazendo com que, em alguns momentos, o público faça pequenas intervenções na construção artística.

Antes do início da peça, o ator-protagonista passeia pela portaria do teatro numa conversa informal como espectador, o que provoca aproximações entre as expectativas das pessoas e o que está por vir na apresentação artística.

Ao final houve um bate-papo com a turma, em que as pessoas puderam dialogar com os artistas criadores a respeito do processo de construção da peça e ainda foi discutir um pouco questões relevantes do contexto histórico-social pelo qual passamos no Brasil.

Se você aprecia o pensamento de Paulo Freire, vá ao espetáculo; se você ainda não conhece Paulo Freire, dê uma oportunidade de se aproximar do desconhecido e verificará o quanto Freire tem que ver com a genuína cultura brasileira.

A peça está atravessando o Brasil. Fique ligado para quando o espetáculo ocorrer em sua cidade.

Até a próxima!


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